terça-feira, 24 de maio de 2011

Igreja Católica, redes de relacionamento virtuais e evangelização na contemporaneidade: caminho impossível?

Na contemporaneidade, a Igreja utiliza intensamente as redes de relacionamento (YouTube, Facebook, Twitter, blogs) para evangelizar. Mas, quais serão os impactos da “abertura” do templo para essa nova era, em que as pessoas deixam de ser meras receptoras, tornando-se participantes do meio, produtoras de informação e de conhecimentos e ocupantes de um lugar na mídia? A comunidade eclesial está conseguindo evangelizar por meio da internet? Está surgindo novo modo de se fazer religião, com o surgimento e fortalecimento do mundo digital?

Na contemporaneidade, está sendo muito difícil conseguir escapar da tendência, cada vez maior, de se relacionar virtualmente. Nos últimos anos, tem-se verificado o surgimento e fortalecimento dos dispositivos tecnológicos e redes de relacionamento, como Orkut, Facebook e Twitter, que, de certa forma, motivam ou pressionam as pessoas a estarem cada vez mais “conectadas” no e para o mundo.
Até mesmo a religião já se apropriou dessas novas formas de comunicar para divulgar seus conteúdos. Na pós-modernidade, um novo espaço está sendo criado. Com a Igreja não seria diferente. Nesse espaço, o real e o imaginário, o próximo e o distante, o religioso e o profano ficam cada vez mais confusos e difíceis de serem definidos. O ciberespaço move o indivíduo para essa nova realidade que vem modificando o mundo e as maneiras como as pessoas se relacionam e pensam.
Neste sentido, um estudo sobre a Igreja Católica e a evangelização na contemporaneidade, com o fortalecimento das Novas Tecnologias da Comunicação – NTCs, mais precisamente, das redes de relacionamento via a rede mundial de computadores, fez-se imprescindível, uma vez que o assunto já está sendo há algum tempo uma das principais pautas dos meios de comunicação religiosos. (Desde 2009, a questão vem sendo tema do Dia Mundial das Comunicações Sociais.)

Durante a pesquisa, foram distribuídos 600 questionários de múltipla escolha aos católicos de Belém do Pará e Região Metropolitana, com o objetivo de descobrir se as pessoas conheciam e acessavam o trabalho da Igreja na internet.

O estudo descobriu que muita coisa ainda deve ser feita, no sentido de divulgação das redes online da Igreja Católica. Descobriu-se que a instituição não sabe utilizar adequadamente as mídias sociais na região, com uma divulgação ainda muito insuficiente, o que acarreta na ausência ou no pequeno número de acesso das pessoas (independente da idade ou da assiduidade com que ela vai à igreja, por exemplo) aos sítios e mídias sociais católicas.

Os dados não mentem: 47% dos entrevistados assinalaram serem católicos praticantes; 32% declararam ir de vez em quando e os outros 21% disseram que não frequentam o templo. A maioria dos entrevistados (82%) disse não pertencer a nenhum grupo ligado à Igreja.

A maioria absoluta dos entrevistados (86%) afirmou que costuma acessar a internet, sendo que grande parte deles (54%) acessa todos os dias; 28,71% afirmaram acessar de duas a cinco vezes por semana e 16,48% acessam raramente. Com relação aos sítios com conteúdo religioso, 11,79% afirmaram acessá-los sempre que usam a internet; outros 39,32% acessam às vezes e 48,89% nunca acessam sítios religiosos. 17,94% das pessoas afirmam acessar esses sítios em busca de informações sobre missas, santos, liturgia, cantos, velas, promessas, entre outros; 15,57% buscam curiosidades; 10,66% buscam adquirir conhecimentos mais amplos e 7,61% buscam por auxílio espiritual momentâneo.

Ainda sobre essas mídias atuais, apenas 8,53% dos entrevistados disseram conhecer e participar do trabalho da Igreja com relação aos meios digitais; 40,13% afirmaram que conhecem, mas não participam e a maioria (51,34%) nem sabia que a Igreja utilizava esses dispositivos de mídia.

Ou seja, percebe-se que há uma deficiência muito grande ainda por parte da Igreja em divulgar seus conteúdos online, uma vez que se pode prever que as pessoas mais engajadas na Igreja conheçam e acessem mais os conteúdos católicos na rede mundial de computadores. Porém, com os resultados da pesquisa, nota-se que a situação é bem diferente: muitos católicos que frequentam a Igreja não conhecem ou, se conhecem, não costumam ou nunca acessaram conteúdo religioso nas redes de relacionamento da Igreja na internet.

Logo, o trabalho constatou que a Igreja ainda não sabe utilizar de maneira eficaz a internet e as suas redes de relacionamento virtual em Belém do Pará. Percebe-se que a instituição religiosa quer, de qualquer forma, estar na internet e nas redes de relacionamento, evangelizando também nesses meios. Só que, conforme analisado, ela não utiliza estratégias eficazes de divulgação dos mesmos, para que as pessoas conheçam e acessem as suas redes. O que confirma esta análise é o fato de que, dos católicos entrevistados que se consideram praticantes, 50,18% conhecem as mídias sociais da Igreja, mas não participam; 35,13% nem sabiam que existiam essas mídias e apenas 14,70% conhecem e participam ou tem adicionada a Igreja em alguma rede social.

Os dados se tornam ainda mais interessantes quando analisados os resultados dos questionários das pessoas que disseram ir de vez em quando ao templo. 67,20% delas desconhecem as mídias sociais da igreja. E, das que não frequentam, 62,99% afirmam também não conhecer o trabalho da Igreja Católica online.

Enfim, todas as 600 pessoas fizeram com que o trabalho pudesse ser concluído com a certeza de que a Igreja Católica Apostólica Romana ainda tem muito que caminhar para que seu trabalho seja mais propagado no mundo digital. Ela deve fortalecer os trabalhos em equipe e, não apenas refletir, o que já faz bastante, mas, também e principalmente, começar a colocar planos de comunicação e de divulgação em ação, para que, assim, as pessoas comecem a conhecer e a participar frequentemente dos seus trabalhos, projetos, eventos e perfis na internet.

Talvez estejam faltando para a Igreja Católica estratégias mais eficazes de comunicação e divulgação de suas mídias. Além disso, a ausência de formação para a internet dos membros da igreja pode, de fato, ocasionar no desinteresse das pessoas em querer acessar as mídias virtuais da igreja, uma vez que, muitas vezes, o despreparo pode ocasionar em textos longos, frases desinteressantes e conteúdo desapropriado para publicação na rede. Fato que, por sua vez, pode trazer inúmeras desvantagens para a instituição religiosa, tendo como resultando poucas visitas, comentários, sugestões. Enfim, pouca participação. E ocasionar no que o trabalho acabou de apontar: pouco conhecimento e acesso a conteúdos religiosos online.

A mudança desse cenário é um trabalho árduo, é verdade. Porém, se bem realizado, poderá trazer frutos significativos e importantes para o trabalho pastoral da Igreja, que, cada vez mais, terá fiéis (ou não) acessando, partilhando ou compartilhando, divulgando, comentando, questionando, criticando, elogiando, indicando... seus trabalhos na Web 2.0.

Por: Thamiris Magalhães de Sousa

Fonte: http://www.ihuonline.unisinos.br

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